terça-feira, 3 de maio de 2011

A Permissão

O dia emerge
Os teus olhos aclaram
O teu brilho ilumina
E eu…
Deixo-te iluminar-me
Porque me fazes bem
Porque assim o permitis-te


O dia abraça a noite
E tu deslumbras-me
Com o teu sorriso
Com as tuas palavras
Com a tua veracidade
Porque te entendo
Porque me abençoas


A noite torna-se madrugada
As conversas entoadas
Consomem o tempo
E as confidências
Tornam-se amigas
Porque eu te sinto
Porque tu o permites

P.S – Poema dedicado à minha amiga Rita Salvador

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Olhando-me ao espelho

Olhando-me ao espelho… vejo que as lágrimas correm-me no rosto, retirando à sua passagem qualquer réstia de maquilhagem ainda sobrante. Alagam os olhos vermelhos e correm sobre a delineação preta demarcada na face. A expressão está vincada e enraizada em cada linha repuxada e que teima em não deixar parar as gotas que fluam a cada pensamento que se transformam em picos de soluços ou simplesmente porquês. O corpo encostado à parede vai descendo à medida que vai caindo a pressão da emoção e as forças da revolta vão empurrando em câmara lenta o corpo ali sentido. A cabeça latejante do esforço e do turbilhão de imagens que se ultrapassam e montam o filme da angústia plenamente instaurada como se uma ante-estreia fosse e todos ali estivessem. Os pingos que originam o mar de lenços ao redor como se a presença de alguém me reconforta-se e me abraçasse com a ternura de quem me está a segurar de forma a não deixar entrar o vazio. As palavras que ecoam no silêncio das paredes são-me trazidas por megafones sem organização e que explodem como bolhas de sabão em cada membro daquela interrogação. As mãos irrequietas percorrem sem qualquer acção o espaço de tal sensação, tremendo ao tentar compreender a razão para tamanha reacção e destino como suplicio ou penitência para o estado de alma sem exclusão. Os lábios esbugalhados pintados a vermelho paixão não faltam à sessão de treino de surf em pleno alto mar, nem ao pavor de encontrar a razão de se romper com a ligação que durante tanto tempo esteve presente com o sinal de impedido. O som abafado, contido dentro da lâmpada que muitas vezes foi ligada e deixada a consumir sem restrição não se faz ouvir mesmo depois de esfregar a lamparina donde o génio deveria de sair para me ofertar com os seus três desejos inimagináveis. O embaciado que se desvanece a cada respiração desenha as entoações e as canções ouvidas pela porta do lado que bate ao sabor das vibrações sem pedir licença para entrar. Olhando-me ao espelho… gostava que fosse verdade! Que conseguisse limpar a alma e o coração com a bênção de um choro sentido. Olhando-me ao espelho…. Penso: “Desejava saber chorar!”.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Corri


Corri o mundo
E explorei o prazer
De te conhecer
E de te encontrar

Corri o mundo
À tua procura
A gritar para que
O destino
A mim me guiasse
E me encontrasses

Corri atrás de um sonho
De uma aventura
De uma loucura
De viver a vida

Corri nas calçadas
Da vida
Onde fui feliz
E sofrida

Corri ao sabor
Da liberdade
Onde aprendi
A voar

Corri…
Para me
Encontrar

quarta-feira, 2 de março de 2011

Recordar e Sorrir


Fecho os olhos
Imagens percorridas
Reflectidas no espelho
Da alma
Conduzem-me
Às estrelas que lá
Pernoitam

Percorro os cheiros sentidos
As palavras trocadas
Os momentos partilhados
Saboreados na maré
Da vida

Percorro lagos e vales
Flores e passeios
Toques sentidos
Ao sabor
De um beijo

Percorro cada caminhada
Cada mão dada
Roubada
Ao som do encanto
Onde as pegadas
Recordo
E sorrio

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Canção


O mar canta
Como quem solta
A nota mais perfeita
Da serenidade completa

Solta a mais
Eloquente nota
Sentida e proferida
Num final de tarde
Sentido ao sabor
Da maresia

Contempla cada
Onda e cada hexágono
Onde a inspiração
Retorna e volta
Para aquecer a alma
Dos perdidos
Nos momentos da vida
Percorridos

O sol encanta
A cada raio
Em que toca o coração
Da canção
Onde a vida é
Percorrida e levada
A sentir o pequeno
Prazer da cantoria
E de viver

Viver ao sabor
Da canção!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Perguntas Tu


“O que queres?”
Perguntas tu
Com o oceano
Enclausurado nos olhos
Como se a qualquer momento
Esperasses que arranca-se do peito
A tristeza e o pavor
Da incerteza sentida

“O que queres?”
È a prorrogativa sábia
Do espectáculo avassalador
Daquilo que é
A minha vida
A pergunta interior
Muitas vezes
Não respondida
Nem percebida

O que quero…
É fácil de perceber
E difícil de entender
Porque nem eu
Me consigo definir
Nem encontrar
Neste Mundo
Tão singular

Viagem atribulada


Sob o teu cheiro
Deitada na cama vazia
Escorrem-me da face
Gotas com sabor a pensamentos
Desilusões, tristezas
De actos encenados
Por duas personagens reais
Sem recurso a guião
Cenas interpretadas
Na perfeição
Por dois amantes
Que não se dão

Discutem constantemente
Por vezes sem razão
Agora um sim
Depois outro não
Construindo o pior
De uma relação
A barreira invisível
Daquela constelação

Um porque não ouve
O outro porque não quebra
Consegue uma relação
Ultrapassar a tormenta?

Perfeitos Olhos


Porque está tudo a ser tão difícil?
Seria de esperar desigualdades
Teimosias, conflitos, conversas
Mas essas ficam apenas para ti
Porque eu não me faço ouvir
Ou então, será que ouves?

Conversas… essas eram boas
Refrescantes, escaldantes, bem dispostas
Agora?
Existem… mas não com a mesma facilidade
Essas não… foram embora
Ficaram as palavras
Proferidas com sete pedras
Onde a expressão exala
Nenhum viver de alegria
Nada!
Apenas o som dorido
Do que se ouve
Do que se sente
Do que marca

Aquela sensação de vazio
Começa a entrar
Não pede licença
Não consigo dizer que não
Apenas perdura… aumenta
A cada palavra
A cada gesto
A cada momento
Vivenciado a teu lado!

Era de esperar… que fosse difícil
Ninguém diz o contrário
O problema?
Está a ser difícil demais
Está a ser demasiado doloroso
Sofrido
Convertido em lágrimas
Em ambos

Não… não está a ser fácil
Ultrapassar e andar em frente
Deixar cair o pano
Aguentar cada bocado
Do teu EU
Eu quero… Eu isto… Eu consigo…
Eu sei… Eu faço…
Eu… Eu…Eu…
Cada frase que proferes
A cada palavra que absorvo
És Tu… Tu… Tu

Sei que não sou fácil
Tenho consciência
Sou mandona…
Intolerante por vezes, teimosa, orgulhosa
Individualista… tal como me chamas
Mimada, menina da mamã, egoísta
Mas sei acima de tudo
Que o melhor em mim
É ouvir… escrever
Não que o tenha feito muito
Escrever
Mas ouvir é a minha especialidade
E eu ouço
Tanto ouço que me tento moldar em ti
E dar-te o espaço
O tempo que precisas
Para encontrares a resposta
Da tua zona de conforto
Não posso é continuar a tolerar
A tua falta de expressão
Feliz
Por me amares

Estou cansada
Completamente esgotada
De te tentar agradar
De te sentir agradecido
Feliz e amado
Por estares a meu lado

De ti só vem nuvens negras
Carregadas de tempestade
Prontas a explodir
Por tudo e por nada
Sim… estou cansada
De tentar que te sintas bem
Confortável
De tentar ser quem não sou
De tentar ser quem esperar que seja
Sim… estou esgotada
De não fazer nada certo
Aos teus perfeitos olhos

Feitiço do amor


Acordo a teu lado
Abraço o dia com ternura
Juntando o teu corpo ao meu
Beijo cada milímetro
Dos raios luminosos
Radiados de felicidade
Que se soltam no teu olhar
Acarinho o momento
Os pormenores das sombras
Do teu corpo junto ao meu
Percorro lentamente o vale
A cascata e a gruta
Encontrando a alegria
Pelo prazer de te procurar
Desejo a eternidade
Da felicidade partilhada
Onde o teu corpo
Se une ao meu
Exaltando o feitiço do amor

Há que acreditar!


Sim...
Ainda continuo a sonhar
Que o amor irá chegar
Que a felicidade semeará
A paz no seu lugar

Sim...
Ainda acredito na cumplicidade
Do olhar
E do beijo escondido
Que depressa acenderá
O fogo enraivecido

Sim...
Ainda acredito na jura
Do compromisso
Do eterno e ambíguo
Silêncio dos perdidos
Que se encontram

Sim...
Ainda acredito no toque
Sem sentido
Ou apenas reconhecido
Entre dois corpos
Despidos

Sim...
Ainda acredito no momento
Revelado e encorajado
Entre os olhares perdidos
De dois apaixonados
Descobertos mas vestidos

Sim...
Ainda acredito no destino
De que à coisas com sentido
Desejado e apetecido
Presos
No abismo

Sim...
Ainda acredito no irreflectido
No acaso dos sentidos
Onde a partilha é consumida
Mesmo sem ser ouvida
Apenas saboreada

Sim...
Ainda acredito no desejo do momento
No apetite do silêncio
Onde o pensamento
Se torna uma imagem
Fotografada e recordada

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

À espera


Será que fiz bem?
Perder tudo aquilo que sabia
E conhecia
Para ir à descoberta
Do desconhecido?

As mágoas ferem
Corrompem qualquer sentimento
Por mais belo que seja

A realidade?
Andava sufocada há muito tempo
Presa no campo magnético
De agradar e ser agradada
Presa ao conto de fadas
Que tinha criado
Mas… não tinha vivido
Agarrada às lutas do passado
Assoberbada pelo sentimento
Nutrido de outros tempos
Sentimento que vinha a desaparecer
Com o passar dos anos

À espera
Na contínua espera
Do teu passo
De uma promessa
A concretização de um sonho
Nunca antes imaginado
Há muito esperado

Acho que finalmente
Te consegui resolver em mim
Libertei-te!
E tu?

Amor


Os dias passam
As nuvens transformam-se
O dia torna-se noite
Impávida e serena
Permaneço
No mesmo lugar
No mesmo pensamento
Onde espero
Que o amor regresse

As lutas que travei
Não quero mais ganhar
As guerras que procurei
Não quero mais solucionar
Quero sim
A simplicidade
A tranquilidade
Do amor com vontade
Do amor com verdade

Depois de tudo
Outrora passado
Cresci
Tornei-me mais forte
E crente
Que o amor ainda existe
Que a solução ainda resiste
E que encontrarei
Quem vive

Prateleira dos achados


Espero por ti na calada da noite
Ansiosa por te ver
Por te ter em meus braços
E sentir o calor do teu corpo
Junto ao meu

Espero por ti durante o dia
Na ânsia de receber uma mensagem
Com um olá ou mesmo um smile
Mas a mesma tarda a chegar
E eu vejo as horas passar

Espero por ti mesmo quando não vês
Esperando que te lembres
Que eu estou aqui
Que faço parte da lista
Mas que sou humana e imperfeita

Espero por ti nos meus pensamentos
Lembrando como foi o aqui e ali
Dos beijos tímidos e roubados
Ao sabor do vento e do compasso
Que fiz questão em descobrir

Espero por ti sem motivo aparente
Espero apenas uma lembrança
De algo que foi diferente
E ficará para sempre guardado
Na prateleira dos achados

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

2011


Sei que há muito que não escrevo...sei que estou em falta comigo e contigo...mas também sei que 2010 não foi um ano fácil e que não recorri a ti muitas vezes, tal como devia, talvez para me ajudar mas não consegui desabafar...mas tenho a certeza que 2011 será melhor! Será um ano de novos começos e de novas oportunidades, de mudanças em mim e no tornear comigo e dos pensamentos. Sei que estaremos de novo juntas...sei que voltaremos a falar-nos mais constantemente até porque eu cresci, mudei e transformei-me e tu saberás!

Um beijo enorme com um sorriso contagiante de... até breve.

A ti


Os anos foram passando
As vontades foram mudando
O pensamento foi-se torneando
Mas agora consigo ver
Sentir e perceber
A tua presença
E sei…
Que estás cá
Que existes
Que me aceitas
E me conheces
E que se precisar
Tu afinal me ouves

A consciência…?
Já a tomei
Talvez porque tenha crescido
Talvez porque finalmente te entendi
Ou mesmo porque nunca foi preciso falar
Para saberes
Que preciso de ti

Estamos diferentes
Notaste?
Acreditas que nunca tinha percebido
Mas gosto imenso do teu sorriso
Por isso te escrevo
Apenas para te dizer:
Gosto de ti… papi