quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tu

Tu que me aconchegas na noite fria
Tu que me agasalhas pela manhã
Tu que me abraças como amanhã
Tu que me ajudas na travessia
Do restauro da alma perdida

Tu que me enches de calor
Tu que me preenches com ardor
Tu que me apareces à noite
E me violas sem favor
Que elaboras o convite
E respondes com apetite

Tu que marcas e resistes
Tu que acaricias e desistes
Tu que amas e existes
Tu que sonhas e assistes
Ao dia
Com limites

Tu que me deixas na cama fria
Tu que desapareces pela manhã
Tu que esqueces o amanhã
Tu que apagas a poesia
Do tesouro da alma despida

Tu que marcas e resistes
Tu que acaricias e desistes
Tu que amas e existes
Tu que sonhas e assistes
À vida
Sem limites

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tique Toque

Tique toque
Mais um sorriso se vê
Tique toque
Mais uma lágrima que corre
Tique toque
Mais um abraço que se descobre


Tique
E o tempo passa à minha volta
Toque
Imagens passam
E correm
Inspirando a sonhar
E a viajar
Para um mundo
Surreal


Tique toque
Mais um sorriso se vê
Tique toque
Mais uma lágrima que corre
Tique toque
Mais um beijo que se ouve

Tique
E a vida transborda
De alegria
Toque
Um acordar
Para se vivenciar
De carinho
E olhar
Para num mundo
Surreal
Se sonhar

Percalços

“Percalços”… Dizes tu
Encolhendo os ombros
Enxaguando a lágrima
Acondicionada
Acomodada
À vida que leva

“Percalços de trambolhão?”… Pergunto
Daqueles que nos viram
E reviram
E nos transformam
Que nos colocam no fundo
Mas que damos a volta

“Percalços de alegria?”… Indigno
Que nos fazem sorrir
E sonhar
Elevando e projectando
A imaginação
Para além da realidade

“Percalços de amor?”… Suplico
Em que os olhos ficam fechados
O coração apertado
E cada respiração
Sufoca
De tamanha emoção?

domingo, 5 de junho de 2011

Precipitei-me!...

“Não… precipitei-me!”… Continua a ser a palavra que me assombra e persegue ao longo desta minha caminhada na solidão, seja proferida e entoada por mim ou pensada e escrita por outros. Precipitei-me por querer tudo, precipitei-me por não querer nada, precipitei-me simplesmente porque necessitava de emoção e preenchimento de um vazio que ainda não consegui entender. Precipitei-me porque de novo deixo que as emoções falem mais alto e a espontaniedade seja rainha, não que seja mau… porque não o é… apenas continuo no percurso do entendimento da razão do vazio e da resposta para o preencher, coisa que continua a faltar e a deixar-me ainda mais sedenta de exploração e explicação.

Custa ouvir um não, mas não custa dar. Custa porque simplesmente fico à espera de uma explicação, de um som por mais absurdo mas reconfortante de conhecimento e crescimento. Custa porque nem sempre nos apercebemos das atitudes que tomamos e que afectam positiva ou negativamente os outros e em consequência a nossa imagem perante os mesmos. Custa porque o sinto como uma espinha que fica presa no interior da garganta, cravada, e desconfortavelmente faço algo para a tirar. Custa porque simplesmente custa ouvir um… NÃO. Mas encher a boca com o ruído ensurdecedor da palavra é de tal maneira fácil de pronunciar, tão simples de entoar, tão constrangedoramente sincera e mágica que nem perturba o mais adormecido pensamento bêbado.

Precipitei-me!... e como tudo na vida tive coisas boas e acontecimentos que me arrastaram no mais profundo soprano musical, tal como caí, magoei-me e crucifiquei-me a todo o custo por ainda não ter aprendido que nem todos vivemos no mesmo mundo e cada um possui o seu.

Acima de tudo, ainda bem que continuo no meu mundo e que ele continua de pé e a construir-se, a modificar-se e a transformar-se no mais belo e maravilhoso recanto de pedaço de céu.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Voltar a Sonhar

Acordo hoje diferente
Não sei o porquê
Não sei como
Mas sei que estou diferente

Acordo com novas sensações
Acordo com novos pensamentos
Acordo com uma paz natural
Acordo porque consegui sonhar

Não sei o que sonhei
Não sei o que imaginei
Apenas sei que a minha alma
Rejuvenesceu

Acordo e olho ao espelho
Vejo uma luz nova
Vejo um brilho novo
Vejo-me a MIM

A Permissão

O dia emerge
Os teus olhos aclaram
O teu brilho ilumina
E eu…
Deixo-te iluminar-me
Porque me fazes bem
Porque assim o permitis-te


O dia abraça a noite
E tu deslumbras-me
Com o teu sorriso
Com as tuas palavras
Com a tua veracidade
Porque te entendo
Porque me abençoas


A noite torna-se madrugada
As conversas entoadas
Consomem o tempo
E as confidências
Tornam-se amigas
Porque eu te sinto
Porque tu o permites

P.S – Poema dedicado à minha amiga Rita Salvador

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Olhando-me ao espelho

Olhando-me ao espelho… vejo que as lágrimas correm-me no rosto, retirando à sua passagem qualquer réstia de maquilhagem ainda sobrante. Alagam os olhos vermelhos e correm sobre a delineação preta demarcada na face. A expressão está vincada e enraizada em cada linha repuxada e que teima em não deixar parar as gotas que fluam a cada pensamento que se transformam em picos de soluços ou simplesmente porquês. O corpo encostado à parede vai descendo à medida que vai caindo a pressão da emoção e as forças da revolta vão empurrando em câmara lenta o corpo ali sentido. A cabeça latejante do esforço e do turbilhão de imagens que se ultrapassam e montam o filme da angústia plenamente instaurada como se uma ante-estreia fosse e todos ali estivessem. Os pingos que originam o mar de lenços ao redor como se a presença de alguém me reconforta-se e me abraçasse com a ternura de quem me está a segurar de forma a não deixar entrar o vazio. As palavras que ecoam no silêncio das paredes são-me trazidas por megafones sem organização e que explodem como bolhas de sabão em cada membro daquela interrogação. As mãos irrequietas percorrem sem qualquer acção o espaço de tal sensação, tremendo ao tentar compreender a razão para tamanha reacção e destino como suplicio ou penitência para o estado de alma sem exclusão. Os lábios esbugalhados pintados a vermelho paixão não faltam à sessão de treino de surf em pleno alto mar, nem ao pavor de encontrar a razão de se romper com a ligação que durante tanto tempo esteve presente com o sinal de impedido. O som abafado, contido dentro da lâmpada que muitas vezes foi ligada e deixada a consumir sem restrição não se faz ouvir mesmo depois de esfregar a lamparina donde o génio deveria de sair para me ofertar com os seus três desejos inimagináveis. O embaciado que se desvanece a cada respiração desenha as entoações e as canções ouvidas pela porta do lado que bate ao sabor das vibrações sem pedir licença para entrar. Olhando-me ao espelho… gostava que fosse verdade! Que conseguisse limpar a alma e o coração com a bênção de um choro sentido. Olhando-me ao espelho…. Penso: “Desejava saber chorar!”.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Corri


Corri o mundo
E explorei o prazer
De te conhecer
E de te encontrar

Corri o mundo
À tua procura
A gritar para que
O destino
A mim me guiasse
E me encontrasses

Corri atrás de um sonho
De uma aventura
De uma loucura
De viver a vida

Corri nas calçadas
Da vida
Onde fui feliz
E sofrida

Corri ao sabor
Da liberdade
Onde aprendi
A voar

Corri…
Para me
Encontrar

quarta-feira, 2 de março de 2011

Recordar e Sorrir


Fecho os olhos
Imagens percorridas
Reflectidas no espelho
Da alma
Conduzem-me
Às estrelas que lá
Pernoitam

Percorro os cheiros sentidos
As palavras trocadas
Os momentos partilhados
Saboreados na maré
Da vida

Percorro lagos e vales
Flores e passeios
Toques sentidos
Ao sabor
De um beijo

Percorro cada caminhada
Cada mão dada
Roubada
Ao som do encanto
Onde as pegadas
Recordo
E sorrio

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Canção


O mar canta
Como quem solta
A nota mais perfeita
Da serenidade completa

Solta a mais
Eloquente nota
Sentida e proferida
Num final de tarde
Sentido ao sabor
Da maresia

Contempla cada
Onda e cada hexágono
Onde a inspiração
Retorna e volta
Para aquecer a alma
Dos perdidos
Nos momentos da vida
Percorridos

O sol encanta
A cada raio
Em que toca o coração
Da canção
Onde a vida é
Percorrida e levada
A sentir o pequeno
Prazer da cantoria
E de viver

Viver ao sabor
Da canção!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Perguntas Tu


“O que queres?”
Perguntas tu
Com o oceano
Enclausurado nos olhos
Como se a qualquer momento
Esperasses que arranca-se do peito
A tristeza e o pavor
Da incerteza sentida

“O que queres?”
È a prorrogativa sábia
Do espectáculo avassalador
Daquilo que é
A minha vida
A pergunta interior
Muitas vezes
Não respondida
Nem percebida

O que quero…
É fácil de perceber
E difícil de entender
Porque nem eu
Me consigo definir
Nem encontrar
Neste Mundo
Tão singular

Viagem atribulada


Sob o teu cheiro
Deitada na cama vazia
Escorrem-me da face
Gotas com sabor a pensamentos
Desilusões, tristezas
De actos encenados
Por duas personagens reais
Sem recurso a guião
Cenas interpretadas
Na perfeição
Por dois amantes
Que não se dão

Discutem constantemente
Por vezes sem razão
Agora um sim
Depois outro não
Construindo o pior
De uma relação
A barreira invisível
Daquela constelação

Um porque não ouve
O outro porque não quebra
Consegue uma relação
Ultrapassar a tormenta?

Perfeitos Olhos


Porque está tudo a ser tão difícil?
Seria de esperar desigualdades
Teimosias, conflitos, conversas
Mas essas ficam apenas para ti
Porque eu não me faço ouvir
Ou então, será que ouves?

Conversas… essas eram boas
Refrescantes, escaldantes, bem dispostas
Agora?
Existem… mas não com a mesma facilidade
Essas não… foram embora
Ficaram as palavras
Proferidas com sete pedras
Onde a expressão exala
Nenhum viver de alegria
Nada!
Apenas o som dorido
Do que se ouve
Do que se sente
Do que marca

Aquela sensação de vazio
Começa a entrar
Não pede licença
Não consigo dizer que não
Apenas perdura… aumenta
A cada palavra
A cada gesto
A cada momento
Vivenciado a teu lado!

Era de esperar… que fosse difícil
Ninguém diz o contrário
O problema?
Está a ser difícil demais
Está a ser demasiado doloroso
Sofrido
Convertido em lágrimas
Em ambos

Não… não está a ser fácil
Ultrapassar e andar em frente
Deixar cair o pano
Aguentar cada bocado
Do teu EU
Eu quero… Eu isto… Eu consigo…
Eu sei… Eu faço…
Eu… Eu…Eu…
Cada frase que proferes
A cada palavra que absorvo
És Tu… Tu… Tu

Sei que não sou fácil
Tenho consciência
Sou mandona…
Intolerante por vezes, teimosa, orgulhosa
Individualista… tal como me chamas
Mimada, menina da mamã, egoísta
Mas sei acima de tudo
Que o melhor em mim
É ouvir… escrever
Não que o tenha feito muito
Escrever
Mas ouvir é a minha especialidade
E eu ouço
Tanto ouço que me tento moldar em ti
E dar-te o espaço
O tempo que precisas
Para encontrares a resposta
Da tua zona de conforto
Não posso é continuar a tolerar
A tua falta de expressão
Feliz
Por me amares

Estou cansada
Completamente esgotada
De te tentar agradar
De te sentir agradecido
Feliz e amado
Por estares a meu lado

De ti só vem nuvens negras
Carregadas de tempestade
Prontas a explodir
Por tudo e por nada
Sim… estou cansada
De tentar que te sintas bem
Confortável
De tentar ser quem não sou
De tentar ser quem esperar que seja
Sim… estou esgotada
De não fazer nada certo
Aos teus perfeitos olhos

Feitiço do amor


Acordo a teu lado
Abraço o dia com ternura
Juntando o teu corpo ao meu
Beijo cada milímetro
Dos raios luminosos
Radiados de felicidade
Que se soltam no teu olhar
Acarinho o momento
Os pormenores das sombras
Do teu corpo junto ao meu
Percorro lentamente o vale
A cascata e a gruta
Encontrando a alegria
Pelo prazer de te procurar
Desejo a eternidade
Da felicidade partilhada
Onde o teu corpo
Se une ao meu
Exaltando o feitiço do amor

Há que acreditar!


Sim...
Ainda continuo a sonhar
Que o amor irá chegar
Que a felicidade semeará
A paz no seu lugar

Sim...
Ainda acredito na cumplicidade
Do olhar
E do beijo escondido
Que depressa acenderá
O fogo enraivecido

Sim...
Ainda acredito na jura
Do compromisso
Do eterno e ambíguo
Silêncio dos perdidos
Que se encontram

Sim...
Ainda acredito no toque
Sem sentido
Ou apenas reconhecido
Entre dois corpos
Despidos

Sim...
Ainda acredito no momento
Revelado e encorajado
Entre os olhares perdidos
De dois apaixonados
Descobertos mas vestidos

Sim...
Ainda acredito no destino
De que à coisas com sentido
Desejado e apetecido
Presos
No abismo

Sim...
Ainda acredito no irreflectido
No acaso dos sentidos
Onde a partilha é consumida
Mesmo sem ser ouvida
Apenas saboreada

Sim...
Ainda acredito no desejo do momento
No apetite do silêncio
Onde o pensamento
Se torna uma imagem
Fotografada e recordada