sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vazio


Olho continuamente
Para a folha em branco
Projectada no monitor
Do pensamento
Nada consigo escrever
As palavras não se conjugam
A fonética não se ouve
A magia…essa perdeu-se
Oh não,
Estou vazia
Completamente nua
E sozinha.

Os dilúvios teimam em acontecer
A conjugação não se repete
A verdade não existe
Nada tem sentido
Não estou em mim
Diz-me…
Onde estás tu?
Oh não,
Estou vazia
Completamente nua
E sozinha.

A lividez é rainha
A realidade distorcida
A verdade não existe
Oh não,
Estou vazia
Completamente nua
E sozinha.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Passeio


Passeio pela calçada lisboeta
Sob a folia das luzes nocturnas
Entre vitrinas ostentadas
E fachadas pombalinas

Percorro com demora
A outrora avenida enamorada
Saboreando cada detalhe
Da vida lusa prometida

Sentada nos antigos bancos
Deformados e sujos
Com a cabeça entre os joelhos
Ouço os passos descompensados
E as buzinas alegóricas
Do rodopio da orquestra portuguesa

A meu lado um homem estático
Segura o pote de água corrente
Embelezado pela vegetação primórdia
De contentamento questionável

Passeio mais um pouco
Aos encontrões sugestivos
Nos pensamentos correntes
Daqueles que se afastam
Por entre o meu caminho

Continuo a minha demanda
Sob o luar bairrista
Dos lunáticos sem razão
Junto à colina da vida

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Como?


Estou prisioneira de um começo
Pela eterna felicidade
Da magia deslumbrante
De um beijo apaixonado
Da emoção transparente
Do coração estonteante
Quando te olho
E...te vejo
Sem máscaras
Sem mágoas
Apenas tu...e...eu

Como me encontras-te?
Como sabias que te queria?
Como o calor do desejo intencional
Fugaz e emocional
Se tornou minha vizinha?

Saltitanto na embelezada vivência
Por entre campos selvagens
De virgindade patente
E robustez do presente
Caminho sobre as linhas férreas
Delineada pela sinuosidade da vida
Perdida nas objectividades
Dos flash subjectivos
Na ânsia de encontrar
Entender e procurar
A resposta da decisão a tomar

Como me encontras-te?
Como sabias que te queria?
Como o calor do desejo intencional
Fugaz e emocional
Se tornou minha companhia?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Fui Desafiada!

1-Nome?
Sara

2- Porque lhe deram esse nome?
Devido ao seu significado ("Minha princesa")

3-Você faz pedidos às estrelas?
Sempre. Elas fazem parte da minha imaginação constantemente

4- Quando foi a última vez que chorou?
Sexta no cinema com as babes

5- Gosta da sua letra?
Sim

6- Gosta de pão com quê?
Com queijo flamengo

7- Quantos filhos tem?
Não tenho

8- Se fosse outra pessoa seria seu amigo?
Sem qualquer sombra de dúvida

9- Saltaria de bungee-jump?
Claro! Esse ainda é um dos meus sonhos por realizar

10- Dessamarra os sapatos antes de tirá-los?
Se não o fizer não tenho mais trabalho?

11- Acredita que é uma pessoa forte?
Não tanto como gostaria

12- Gelado favorito?
Canela

13- Vermelho ou Preto?
Preto

14- O que menos gostas em ti?
Insegurança e mau humor para quem não merece

15- O que mais gostas em ti?
Olhos, por serem verdadeiros

16- De quem sente saudades?
Das estrelas e de mim

17- Descreve que tipo de roupa está a usar agora?
Um vestido, uma camisa, collants e saltos altos

18- Qual foi a última coisa que comeu hoje?
Almoço da "Vitaminas"

19- O que está escutando agora?
Jason Mraz

20- A última pessoa com quem falou ao telefone?
Mummy

21- Bebida favorita?
Caipirinha

22- Comida?
Muamba

23- Último filme que viu no cinema e com quem?
“Ele não está assim tão interessado”, com as babes!

24- Dia favorito do ano?
Ano após ano denoto uma crescente evolução para aceitar que o dia de aniversário tem de ser o melhor do ano

25- Inverno ou Verão?
Verão SEMPRE!

26- Beijos ou abraços?
Beijos carnais!

27- Sobremesa favorita?
Mousse Manga

28- Que livro está a ler?
Por enquanto nenhum

29- O que tem na parede do seu quarto?
Fotos

30- Filmes Favoritos?
"Danny the Dog" e "P.S - I Love You"

31- Onde foi o lugar mais longe que já foi?
O meu inconsciente

32- Uma música?
"She"

33- Uma frase?
Um sorriso será para sempre Eterno

P.S - Eu aceitei o desafio e tu?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Segredo


Estaciono junto ao rio Tejo com vista soberba para as margens de Lisboa e Almada. Junto á margem este do rio passeiam casais enamorados dando as mãos clandestinamente, crianças esfomeadas de energia saltitante e os mais velhos, para quem o tempo tem passado vincadamente no seu corpo usado pelas décadas passadas. Do alto, o sol reflecte todo o seu brilho sob a penosa folia ventosa que rodopia ao tom do compasso de um assobio. Olho ao espelho. Não reconheço quem me olha. Seu olhar sem brilho mais parece um rastilho pronto a acender. Seu sorriso sem réstea de alegria permanece enjaulado para domesticação. Retiro o estojo cor-de-rosa e começo a transformação. O lápis preto inicia a magia dando lugar aos brilhos catatónicos finalizando com o contraste cor de caramelo no preenchimento da definição da linha carnuda do poder. Gotas perfumadas a flores, acabadas de colher, com leve traço a incenso de canela pairam sob o pescoço até á linha de sedução. Passo os dedos pelo rebelde cabelo encaracolado como se ele fosse ficar muito diferente do usual e coloco um gancho na madeixa de cabelo que tem tendência para me enervar. Olho ao espelho. Falta apenas o retoque final. Ajeito o colorido top estonteante e o busto fica absolutamente perfeito para o momento, nada de exageros ou cobertura total apenas o toque certo e a medida ideal. O triângulo encantadamente sedutor fica concluido. Olho ao espelho. Reconheço quem me olha. Seus grandes olhos revelados cintilam ao tom da amadurecida jabuticaba acabada de colher. Seu sorriso fluente e inebriante ilumina o dia de quem tem o privilégio de o contemplar. Calço os saltos agulha, verdes erva, em sintonia com todo o conjunto borboleta apresentado. As assas...essas estão marcadas no meu corpo, mente e alma. De forma pausada, traço o meu caminho até ao parque com as árvores bonzai anciãs onde o túnel grená faz a passagem. Uma porta deformada simétricamente com hieróglifos primários dá as boas-vindas ao mundo secreto. Subo o primeiro degrau dourado...uma paz profunda assola-me. Subo o segundo degrau dourado intenso...o meu corpo estremece. Fico parada no terceiro reluzente degrau...o aroma da felicidade e da liberdade é sentido em todo o seu esplendor. O que era um parque aos meus olhos passou a floresta encantada no consciente. Dou o passo em frente...todo o corpo possui uma leveza in natura primordial. Passeio pelas bonitas copas floridas, por entre vegetações revestidas, cataratas fascinantes, vidas significantes que borbulham a cada rodopio do assobio. A meu lado, pequenas maravilhas acompanham-me ao sabor do compasso musical trauteado pela feudal clave estrelar. Uma onda de forte dimensão leva-me a planar na sua direcção. Avisto um clarão sem proporção sob a face de quem me espera. Aterro sem noção, completamente adormecida pelo encantamento da luz ancestral. Tento falar e tudo o que consigo fazer é soltar as mais belas borboletas que estavam presas no meu interior. Elas tomam um único rumo...chamar a atenção do segredo. Um eterno segundo seguido de uma brisa avassaladora foi o suficiente para o enamoro primaveril do mistério.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sonho

Sonho com o meu mundo
Interior e empolgante
Mágico e revelante
Que me leva té a ti

Sonho com o momento
Em que as borboletas
Transformadas e elegantes
Sobrevoam as entranhas do meu ser

Sonho com a esperança
Do encontro furtivo
Do olhar fugido
No meio da multidão

Sonho com o pormenor
Relevante e promissor
Da luminosidade das sombras
Irradiantes sob as tuas costas

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pensamento do dia


Realidade: A felicidade existe...
Problema: Apenas a sentimos momentâneamente!
Nunca somos completamente felizes pois queremos sempre mais...para nos sentirmos completos.
A grande verdade... é que a felicidade passa pelo encontro de nós mesmos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Dilúvius

Junto os pés descalços
Sobre a estrada de calçada
Observo a núbia falésia
Que se aproxima calvagando
Sobre jardins floridos
Até ao encanto da madrugada

Procuro o conforto solitário
Junto da realidade incerta
Que me consome sem piedade
Rasgando a imaginação secreta
Da abstracta noite de máscaras
Com o princípe e a seta

Sob o olhar do pequeno luar
Companheiro insaciável
Presentemente instável
Perdura a pureza do olhar
O secretismo estrelar
A paixão incontornável

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Deixa-me


Deixa-me sorrir
Deixa-me libertar
Deixa-me agarrar
A esperança de mudar

No jardim da consciência
No mundo das bonecas
Procuro respostas
Para o conflito interior
Para o medo irreflectido
Do sabor do desespero
Que trago comigo

Deixa-me sorrir
Deixa-me libertar
Deixa-me agarrar
A esperança de alcançar

Passeio junto ao mar
No seu odor a maresia e calor
Procuro respostas
Para as histórias sem fim
Para as lágrimas salgadas
Nas batalhas travadas
Junto a ti

Deixa-me sorrir
Deixa-me libertar
Deixa-me agarrar
A esperança de procurar

Caí a noite sobre mim
Quero que me ouças
Lá do alto do frenesim
Onde os pensamentos se unem
As vidas se cruzam
Enquanto espero por ti

Deixa-me sorrir
Para a dor não me magoar
Deixa-me libertar
As correntes imaginárias
Deixa-me agarrar
A esperança de mudar
Porque sou eu
A peça por terminar

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Escultura

Passeio sobre os muros dourados
Procurando novos esconderijos
Novos recantos para o desespero
Verdadeiro e momentâneo

Deixo um rasto de vazio
Procurando formas para me encontrar
Lembranças de leão
Assimétricas sem razão

Escorrego no labirinto psicológico
Procurando novas portas
Novas formas de pensamento
Para a liberdade da revelação

Tropeço sobre o destino
Procurando a certeza
Sobre a sobrevivência
Em prol do contorno da sabedoria

Levanto-me sem pressas
Procurando o caminho certeiro
Da vida para a alegria
Em que a lágrima não é a folia

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Pintura

Olho para ti
Não te vejo
Teus olhos cor de luz
Hoje foram derrubados
Pelos épicos encontros
Entre o presente e o passado

Olho para ti
Não te encontro
Desapareceste sob a alçada do cansaço
Preso na torre do pensamento
Onde a escravidão da sociedade
Se tornou mais um fardo

Olho para ti
Não te reconheço
Perante a aúrea acabada
Outrora vincada na presença do ser
Onde existe o vazio
Sem voltade ou pavio

Olho para ti
Não mais existes
O brilho evaporou
Na tua expressão realista
O fim consegue-se sentir
Quando...apenas...olho para ti

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Aquela janela


Olho, espreguiçando, pela irreal e elaborada janela do quarto nu. O arco-íris reina como pano de fundo do dia que acabou de acordar. Cores nítidas, precisas, elegantemente desenhadas sobre o fino risco transparente da divisão das propriedades presentes como um quadro pintado a aguarelas de uma criança perfeccionista. As nuvens deixam escapar pequenos vestígios de tristeza momentânea. O sol, em toda a sua forma exuberante, lança leves sorrisos quentes de alegria e prazer. Dirijo-me até à clara banheira de robustez antiga, com o seu ar pós-moderno, sob o fundo cor de pêssego e salmão aos pés do quarto, com vista priveligiada para o exterior. Rodo, para o lado esquerdo, a torneira em forma de estrela dourada com uma lágrima vermelha no epicentro. A água desliza suavemente sob as criações impressionantes da mancha de fumo, acobreando com leveza e cremosidade o rasto deixado pelo gel de banho apaziguante que leva a imaginação além fronteiras com o seu cheiro zen a natureza, flores do campo, liberdade, alma restaurada, eternidade fugaz do momento. Pétalas de malmequeres amarelas e laranja esvoaçam ao longo da onda de calor até sucumbirem suavemente na camada visível da água tão eloquentemente cremosa. Acendo velas perfumadas de variadas cores que ajudam a criar o cenário de idealização momentânea. Jogo o usado e vistoso roupão de banho rosa no chão sob o manto creme sujo de pelo iriçado. O corpo nú estremece ao sentir o calor escaldante da água a verter sob a camada visível de pele sensível e suave. Deito-me. Fecho os olhos e deixo que o elixir do relaxamento comece a tomar efeito sob corpo, mente e alma transferindo as vibrações necessárias para o fortalecimento dos pensamentos, acções e palavras. Durante longos e ausentes segundos o meu mundo interior foi invadido pela leveza do ser e da existência perante a mãe natureza. Retorno ao agora.